Trump, EUA, Israel e Irã Impactam Juros e Inflação no Brasil

Tensões EUA, Israel e Irã abalam economia! Trump e crise no petróleo redefinem futuro do Brasil. Mercado revisa inflação e Selic. Saiba mais!

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(Imagem de reprodução da internet).

Mercado Ajusta Expectativas com Incertezas Globais

As tensões internacionais, impulsionadas pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, juntamente com a postura do presidente americano, Donald Trump, e o impacto subsequente nos preços do petróleo, estão redefinindo o cenário econômico brasileiro.

O mercado financeiro está recalculando as perspectivas para a inflação e a taxa Selic, a principal ferramenta de política monetária do Banco Central.

Inicialmente, a expectativa era de um ciclo mais agressivo de cortes de juros no primeiro semestre do ano, com ajustes menores no segundo. No entanto, essa visão mudou, com o Banco Central adotando uma postura mais cautelosa, prevendo cortes menores de 0,25 ponto percentual em cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que ocorrerá nesta quarta-feira (29).

Essa mudança reflete a incerteza gerada pela situação geopolítica global.

Expectativas e Possíveis Cenários

A taxa básica de juros cairia dos atuais 14,75% ao ano para 14,50%, um patamar ainda elevado. Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, alerta para a possibilidade de uma reviravolta nessa trajetória, com cortes menores no início e uma aceleração na queda da Selic na segunda metade do ano.

Essa expectativa depende da resolução do conflito e do retorno do preço do petróleo para cerca de US$ 80, fatores que ainda não se concretizaram.

Inflação e Desaceleração Econômica

A inflação projetada para este ano também deve ultrapassar o teto da meta, em 4,5%, com estimativas de 4,9% e 4,86% pelo Boletim Focus do Banco Central. Apesar disso, Vitória acredita que a pressão inflacionária, causada pelas incertezas globais, é transitória.

O Copom mantém uma política monetária restritiva, o crédito enfrenta dificuldades e a demanda está desacelerando, o que pode permitir que o Comitê continue cortando juros, mesmo em ritmo menor.

Risco de Ajuste Fiscal

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) divulgado ontem (28) evidenciou a pressão da alta do preço do petróleo sobre alimentos e transporte. Rafaela Vitória considera que a inflação de serviços não apresentou uma deterioração tão significativa, confirmando a interpretação de que se trata de uma inflação mais transitória.

O nível elevado das taxas de juros, o endividamento das famílias e empresas e o risco de estímulos fiscais em um ano eleitoral (que tendem a aumentar a demanda e a inflação) representam desafios para a economia brasileira.

Comunicação do Copom e Perspectivas Futuras

Rafaela Vitória espera que a comunicação do Copom na reunião desta quarta seja cautelosa, refletindo as incertezas do cenário global. No entanto, há sinais de desaquecimento da demanda e do crédito, além de um câmbio mais favorável e um petróleo estável.

O colegiado deve indicar que ainda há espaço para calibragem na próxima reunião, seguindo o ritmo atual de 0,25 ponto percentual.

Juros nos EUA e a Situação Econômica

Nos Estados Unidos, o Banco Central também deve tomar uma decisão sobre a taxa de juros. A expectativa é de manutenção, diante da pressão inflacionária e da atividade econômica ainda forte. Em momentos de maior instabilidade global, as expectativas de cortes de juros no segundo semestre diminuíram, e estimativas de novas altas nas taxas surgiram.

Rafaela Vitória acredita que o patamar de juros nos EUA já está próximo do juro neutro, o que dificulta a redução das taxas.

Ajuste Fiscal e o Cenário Eleitoral

Rafaela Vitória acredita que um ajuste fiscal, sem grandes reformas, e um controle mais efetivo dos gastos, pode contribuir para uma reancoragem mais forte da inflação longa e permitir uma queda maior de juros. Essa sinalização seria mais relevante do que o cenário externo, que ainda é incerto.

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