Trump, Fed e Guerra no Oriente Médio: Crise Global e o Futuro da Economia

Crise Econômica Global e o Impacto das Políticas de Trump
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, o cenário econômico mundial tem sido marcado por uma série de eventos e decisões que geraram instabilidade. Inicialmente, a imposição de tarifas sobre produtos importados, conhecida como “tariffão global”, foi um ponto central.
Em seguida, houve pressões diretas contra Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, e, mais recentemente, o conflito no Oriente Médio, que se prolongou além das estimativas iniciais. Essa conjuntura complexa resultou em um choque de oferta, caracterizado por um crescimento econômico desacelerado e um aumento da inflação, impactando diretamente a economia americana e a de diversos países consumidores e investidores.
Análise do Chefe de Análise da Jubarte Capital
Benjamin Mandel, chefe de análise da Jubarte Capital, avalia que o choque de oferta atual é transitório. Em uma entrevista para o podcast “Touros e Ursos”, do Seu Dinheiro, Mandel detalhou sua visão sobre o governo americano, Trump, o futuro da maior economia do mundo e a posição do Brasil.
Ele argumenta que a situação se assemelha a uma guerra comercial, com um foco concentrado em energia e alimentos devido ao fechamento do Estreito de Ormuz. Mandel acredita que a demanda nos Estados Unidos está próxima da taxa potencial, mas com nuances: forte em tecnologia e inteligência artificial (IA), enquanto o consumidor demonstra sinais de desaceleração.
Ele prevê um choque mais localizado e de curta duração, semelhante ao ocorrido em 2025, o que o leva a uma perspectiva otimista, ou “bullish”.
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Implicações para o Brasil e o Relacionamento Lula-Trump
O cenário econômico global, com os impactos das políticas de Trump e a guerra no Oriente Médio, também afeta o Brasil. O país enfrenta dificuldades em lidar com a inflação, devido à inércia do sistema financeiro, o que pode encurtar o ciclo de queda das taxas de juros.
No entanto, a política monetária restritiva já está produzindo efeitos positivos, e a valorização do real ajuda a mitigar o impacto das pressões externas. Do ponto de vista diplomático, a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump é marcada por uma química pessoal, apesar de divergências em fóruns globais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o Brasil tem dificultado agendas de interesse norte-americano.
Lula, segundo Mandel, “não perde oportunidade de complicar a vida de Trump”, mas os dois líderes possuem uma relação cordial em conversas individuais. Trump, por sua vez, não possui poder total para impulsionar disputas, e o Brasil pode oferecer recursos que auxiliam os Estados Unidos.
O Futuro do Fed e o Impacto nas Investidas
A sucessão de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, como chefe do banco central norte-americano, é um ponto de atenção. Mandel acredita que Warsh não cederá aos desejos da Casa Branca por juros mais baixos, a menos que os dados econômicos indiquem um caminho claro para o afrouxamento monetário.
O Fed, com sua cultura de independência e sua estrutura de análise objetiva, é resistente a mudanças repentinas. Mandel, que já trabalhou no Fed, se sente tranquilo com a sucessão, prevendo que Warsh usará a inovação e a IA como ferramentas para puxar o crescimento e a inflação para baixo, como ocorreu nos anos 90.
Essa visão otimista influencia as decisões de investimento.
Investimentos e Estratégias em um Cenário Incerto
Com o cenário econômico global em constante mudança, a Jubarte Capital adota uma estratégia dividida entre risco e segurança. A empresa aloca 50% de seus investimentos no Brasil e 50% no exterior, com uma leve inclinação para o “risk on” (apetite por risco) devido à falta de previsão de uma recessão extrema.
A preferência é por ações, especialmente o S&P 500, e mercados como a Coreia do Sul, que se beneficiam do avanço da IA. A empresa prefere Treasurys como seguro contra o estresse inflacionário e o ouro como proteção. No Brasil, a estratégia é arriscar em títulos prefixados, acompanhando o ciclo de cortes de juros, mas ainda não adiciona ações à carteira.
Os vencedores e perdedidos da “guerra de Trump” foram escolhidos por Mandel e os participantes do podcast, incluindo Kora Saúde, que buscou recuperação extrajudicial, e o Bitcoin, que apresentou alta de 7,5% em reais.
Autor(a):
Redação
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