Novos Vazamentos da Vale em Minas Gerais Reabrem Debate Sobre Segurança em Operações de Mineração
Em um ano marcando o sétimo aniversário do desastre de Brumadinho, Minas Gerais enfrentou mais dois incidentes envolvendo vazamentos relacionados a estruturas da Vale. O primeiro ocorreu em 25 de janeiro, no dia do aniversário da tragédia, na mina de Fábrica, localizada na divisa entre Congonhas e Ouro Preto.
A ocorrência, que envolveu cerca de 24 horas, foi seguida por um novo extravasamento na mina da Viga, também em Congonhas, com a água atingindo o rio Maranhão, conforme informações de autoridades locais.
Esses episódios, embora não tenham causado vítimas, ressaltaram os riscos ambientais associados às atividades de mineração e geraram discussões entre especialistas sobre a importância do monitoramento, prevenção e gestão das estruturas. A situação expõe a necessidade de aprofundar a análise sobre como garantir a segurança das operações.
Impacto Ambiental e Desafios na Prevenção
Antônio Giansanti, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que, apesar dos avanços regulatórios após Brumadinho, o desafio na prática continua. “É fundamental conhecer as estruturas para poder gerenciá-las adequadamente, e o monitoramento constante é essencial para antecipar problemas”, afirma.
Ele enfatiza que, mesmo sem rejeitos de barragens, ocorrências desse tipo são graves do ponto de vista ambiental.
Segundo Giansanti, os vazamentos causam assoreamento, alteram o curso dos rios e geram um acúmulo de poluentes, podendo afetar profundamente os ecossistemas aquáticos. Ele ressalta que a recuperação em muitas situações demanda anos. O especialista acredita que o uso de tecnologias como poços piezométricos, que medem os níveis da água em estruturas de solo, e o acompanhamento contínuo das águas que saem dos barramentos, podem ajudar a antecipar problemas e tornar o sistema mais resistente.
Medidas Corretivas e Responsabilização
Diante dos novos incidentes, o governo de Minas Gerais aplicou uma multa de R$ 1,7 milhão e determinou a suspensão cautelar das operações da mina da Viga e da Cava 18 da mina de Fábrica, em Ouro Preto. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) também aplicou uma multa de R$ 1,3 milhão por poluição ambiental e impacto em área de terceiros.
A Semad estabeleceu que as atividades só poderão ser retomadas após comprovar a ausência de risco de novos vazamentos. Na Cava 18, técnicos identificaram erosão e rompimento de uma leira de contenção na madrugada de domingo, por volta de 1h40, o que provocou o extravasamento.
A lama atingiu áreas operacionais da CSN, como pátio, oficinas e posto de abastecimento. A situação reforça a necessidade de medidas mais rigorosas para evitar novos desastres.
Giansanti considera que as multas e a suspensão de alvarás são importantes, mas insuficientes. Ele argumenta que o monitoramento contínuo permite entender o comportamento das estruturas em condições normais e diante de eventos inesperados, contribuindo para a prevenção de futuros problemas.
