Transbordamentos de Água em Minas Gerais Levantam Preocupações com a Vale
Em um aniversário sombrio, marcado pela sétima comemoração do desastre em Brumadinho, a Vale enfrenta um novo cenário de crise ambiental. Dois incidentes recentes, um em Ouro Preto e outro em Congonhas (MG), com o deslocamento de 200 mil metros cúbicos de água e o rompimento de um dique, reacenderam o debate sobre a segurança das operações da empresa.
A prefeitura de Congonhas determinou a suspensão dos alvarás de funcionamento da Vale nas unidades de Fábrica e Viga, exigindo medidas emergenciais de controle e monitoramento ambiental. Os episódios causaram o deslocamento de sedimentos para os rios da região, conforme informado pelo governo mineiro.
A mineradora, por sua vez, informou que as operações nas unidades foram suspensas e que está colaborando com as autoridades.
Impactos Ambientais e Ações da Vale
Os transbordamentos em Ouro Preto e Congonhas geraram impactos ambientais significativos, incluindo a assoreamento de cursos d’água e danos à biodiversidade, conforme apontado pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, João Lobo.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) determinou a adoção de medidas emergenciais de reparação, como limpeza, monitoramento e a apresentação de um plano de recuperação ambiental. A Vale também será autuada por infrações à legislação estadual de licenciamento ambiental.
Situação da Vale no Mercado
A notícia dos novos incidentes impactou o mercado, com a Ativa Investimentos expressando preocupações com a segurança das operações da Vale. Houve uma desvalorização dos papéis da empresa, impulsionada por uma sequência de alta das ações nos últimos dias.
Os ADRs da Vale iniciaram o dia em alta no pré-mercado de Nova York, subindo 1,66% a US$ 15,96.
Investigações e Pressão sobre a Vale
Diante dos episódios, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a Agência Nacional de Mineração (ANM) realize uma fiscalização rigorosa e apure a responsabilidade dos casos. O ministro solicitou a análise das estruturas impactadas e a adoção das medidas necessárias, incluindo eventual interdição de operações, além do acionamento de órgãos ambientais e de Defesa Civil.
A Vale reiterou que os vazamentos não têm relação com barragens de rejeitos, que não houve carregamento de rejeitos de mineração e que as ações de inspeção e manutenção são reforçadas durante o período chuvoso. A mineradora informou que as causas dos dois episódios estão sendo apuradas e que os aprendizados serão incorporados aos planos de contingência.
