Visões de Varejistas Brasileiros em Meio a Incertezas
Em um cenário econômico complexo, com a taxa de juros ainda em avaliação, grandes redes varejistas do Brasil demonstram cautela, mas também otimismo para o futuro. O Banco BTG Pactual coletou insights de CEOs e executivos dessas empresas, revelando estratégias e expectativas para o ano.
A análise destaca a necessidade de adaptação e busca por eficiência, impulsionada por fatores como condições climáticas, concorrência e o cenário macroeconômico.
Análises de Varejistas Chave
A C&A, liderada por Paulo Correa e Laurence Gomes, reconhece os desafios do final do ano passado, incluindo condições climáticas adversas e uma competição acirrada. A empresa planeja oferecer peças mais acessíveis, com um mix de preços equilibrado, e já implementa um novo plano de compras e gestão de estoques.
A C&A também prevê a reforma de 25 a 28 lojas e a abertura de 10 novas unidades até 2026.
Renner e a Busca por Crescimento Sustentável
A Renner, com Fábio Faccio e Daniel Martins na liderança, mantém o guidance de longo prazo de crescimento anual de 9% a 12%. A estratégia da empresa se concentra em um mix equilibrado de preços, melhor sortimento, promoções reduzidas e controle de volumes, além de expandir sua capacidade de distribuição.
A Renner também planeja distribuir entre 50% e 80% do lucro anual aos acionistas e manter um foco na expansão da marca Renner e Youcom.
SmartFit: Expansão e Desafios
A SmartFit, com Edgar Corona à frente, continua com o plano de abertura de 341 novas academias em 2025, com maior concentração em dezembro. A empresa espera que as novas unidades se tornem mais eficientes e lucrativas com o tempo. A SmartFit também planeja expandir o benefício TotalPass, que enfrenta a pressão de margem devido à sua natureza de benefício corporativo.
RD Saúde: Recuperação e Eficiência
A RD Saúde, liderada por Flávio Correia, passou por uma virada em 2025, impulsionada por medidas como diluição de despesas, negociações com a indústria de HPC e simplificação da estrutura. A empresa espera que a introdução de genéricos impulsione o crescimento da categoria de medicamentos de perda de peso.
A RD também se beneficia da alta demanda em regiões de renda mais alta.
Vivara: Crescimento e Geração de Caixa
A Vivara, com Elias Leal e Caio Barbuto à frente, foca na retomada do crescimento nas lojas maduras da bandeira Life, na melhora do desempenho em categorias como relógios e joias e na aceleração da abertura de novas lojas. A empresa também busca otimizar o capital de giro e diluir despesas gerais e administrativas.
A Vivara espera que a queda dos preços das commodities impulsione o crescimento da margem bruta.
Azzas 2154: Transição e Adaptação
A Azzas 2154 descreve 2025 como um ano de transição, com foco na adaptação da nova estrutura corporativa e na integração das operações. A empresa prioriza a estabilidade em 2026, com iniciativas para garantir crescimento consistente e melhora gradual da rentabilidade.
A Hering busca avançar na saúde da marca e corrigir ineficiências no modelo de vendas, enquanto a Calçados busca recuperação da Schutz. A Azzas 2154 reforça o foco em eficiência, controle de custos e geração de caixa.
Magazine Luiza: Omnichannel e Desafios
O CFO Roberto Bellissimo enfatiza o posicionamento do Magalu como um ecossistema omnichannel, com integração entre canais físicos e digitais. A empresa aposta em iniciativas como o WhatsApp da Lu para fortalecer o e-commerce e melhorar a experiência do seller.
O Magalu mantém foco em bens duráveis, que se beneficiarão da queda dos juros, e monitora a inadimplência no MagaluPay e no LuizaCred.
Conclusão
As visões coletadas revelam um cenário de cautela e adaptação no varejo brasileiro. Apesar das incertezas econômicas, as empresas buscam otimizar operações, explorar novos canais e se ajustar às demandas do mercado, demonstrando resiliência e foco em crescimento sustentável.
