Varejo em Fevereiro de 2026: O que impulsionou e o que freou o consumo?

Varejo em fevereiro de 2026: crescimento moderado impulsionado por alimentos. Saiba como o consumo básico sustenta o setor e o que afeta os bens duráveis!

15/04/2026 9:35

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(Imagem de reprodução da internet).

Vendas do Varejo Brasileiro em Fevereiro de 2026 Mostram Crescimento Moderado

O comércio varejista brasileiro registrou um avanço de 0,6% em suas vendas em fevereiro de 2026, comparado a janeiro, conforme dados divulgados pelo IBGE. Embora o resultado mensal tenha sido positivo, o desempenho geral do setor permanece contido, apresentando um crescimento anual modesto de apenas 0,2%.

Com isso, o varejo acumula um aumento de 1,4% nos últimos doze meses. Este número aponta para uma desaceleração em relação a períodos anteriores, refletindo um ambiente econômico ainda sob pressão devido aos juros elevados e às restrições no crédito disponível para os consumidores.

Análise do Varejo Ampliado: Crescimento Mensal, Recuo Anual

No conceito ampliado, que engloba setores como veículos, material de construção e atacado de alimentos, as vendas tiveram um crescimento de 1,0% em fevereiro em relação ao mês anterior. Contudo, este indicador sofreu uma queda de 2,2% quando comparado ao mesmo período de 2025.

Além disso, o acumulado em 12 meses mostra uma retração de 0,4%. Esse resultado sublinha a fragilidade de segmentos que dependem fortemente de financiamentos, como os de veículos e construção civil, os quais continuam sendo afetados pelo alto custo do crédito.

Consumo Básico Sustenta o Setor de Varejo

Entre os diversos setores analisados, o desempenho positivo foi impulsionado principalmente por segmentos ligados ao consumo essencial. Supermercados e alimentos, por exemplo, cresceram 1,1% no mês e 1,5% no acumulado anual, atuando como o principal motor do varejo.

Outros setores de consumo básico também apresentaram bom desempenho. Combustíveis e lubrificantes registraram alta mensal de 1,7%, enquanto o setor farmacêutico manteve uma trajetória de crescimento notável, avançando 2,1% em relação a fevereiro do ano passado e acumulando 36 meses de expansão.

Setores Discricionários Sofrem com o Cenário Econômico

Em contrapartida, os segmentos considerados discricionários, aqueles mais sensíveis ao ciclo econômico, continuam mostrando sinais de fraqueza. O setor de vestuário e calçados recuou 5,0% na comparação anual.

Móveis e eletrodomésticos também registraram uma queda de 1,2%, interrompendo uma sequência de crescimento. O grupo de “outros artigos de uso pessoal e doméstico”, que inclui lojas de departamento e artigos esportivos, caiu 5,3%, indicando uma menor disposição do consumidor para gastos não essenciais.

Impacto do Crédito Caro em Bens Duráveis e Regiões

A restrição de crédito impactou severamente os bens duráveis. No varejo ampliado, a queda mais acentuada veio do setor automotivo, com retração de 7,8% em relação a fevereiro de 2025. O segmento de material de construção também apresentou um forte recuo, de 8,5%.

Em termos regionais, a análise mostra um crescimento mais desigual. Dezessete das vinte e sete unidades federativas registraram aumento no varejo no mês, com destaque para Paraná, Bahia e Minas Gerais. Contudo, na base anual, o avanço foi visto em 16 estados, enquanto Amazonas, Pará e Espírito Santo apresentaram retração.

Perspectivas de Mercado: Resiliência com Limites de Crescimento

A leitura geral do mercado aponta para um consumo que, embora resiliente, não possui força suficiente para uma expansão robusta. A leve alta mensal sugere uma estabilização momentânea, mas o fraco crescimento anual sinaliza uma perda de ímpeto.

A sustentação do setor depende majoritariamente da renda das famílias, enquanto o crédito permanece como um fator limitante. Com juros elevados e incertezas no cenário externo, a tendência aponta para um crescimento moderado do varejo ao longo de 2026.

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