Vinhos Gelados: A Nova Tendência que Está Conquistando o Brasil!
Vinhos gelados invadem os wine bars! Descubra a “GlouGlou” que está fazendo sucesso no Brasil e no mundo. 🍷❄️ #vinho #tendencia
A Nova Onda dos Tintos Leves
Em tardes quentes, em wine bars, a cena se transforma. Além dos brancos e rosés, um novo grupo de tintos ganha destaque: vinhos quase translúcidos, servidos em baldes de gelo. Pinot Noirs, Gamays e até mesmo Cerejas e Bastardos, castas que naturalmente produzem vinhos frescos e leves, ganham espaço.
Essa tendência, impulsionada por novas técnicas de vinificação, deu origem aos “chillable reds”, vinhos pensados para serem apreciados resfriados.
O termo “GlouGlou” – onomatopeia do líquido descendo pela garganta – define essa categoria de vinhos de alta acidez, baixo teor alcoólico e consumo jovem. Júlia Derado, sommelier do Rosewood, explica que essa busca por vinhos mais versáteis surgiu, em grande parte, em resposta aos dias quentes de verão no Brasil.
A escolha não se limita apenas à preferência sazonal, mas também à crescente demanda por tintos mais leves, uma tendência que se consolida no mercado, conforme confirma a profissional.
A leveza de um vinho está diretamente ligada ao seu corpo, ao “peso” que ele apresenta no paladar. Juliana Carani, sommelier do Ristorantino, ilustra com uma analogia simples: a diferença de densidade entre a água e o suvo de manga. O extrato seco – conjunto de minerais, ácidos e fenóis – molda essa sensação.
Quanto maior a concentração de extrato seco, maior a sensação de densidade e persistência. Para alcançar esse perfil, os enólogos mantêm o teor alcoólico em patamares mais baixos, geralmente entre 11% e 12%, e reduzem a extração tânica, evitando elementos que adicionam peso.
Servir qualquer tinto gelado não o transforma automaticamente em um “chillable red”. Um tinto leve por intenção do enólogo continua sendo leve, mesmo em temperaturas mais altas. Já um tinto que apenas parece ser leve por ser servido mais frio pode apresentar um desequilíbrio na taça.
O consenso entre as sommeliers é que a temperatura ideal para apreciar esses vinhos fica entre 12°C e 14°C. Abaixo dessa temperatura, os aromas e o frescor do vinho perdem a vivacidade.
A criação de um tinto leve envolve uma intenção de vinificação que prioriza a preservação do frescor. Na adega, o objetivo é reduzir a extração tânica e evitar elementos que adicionem peso. Os enólogos utilizam técnicas como a maceração carbônica – fermentação da uva inteira, com o cacho, em ambiente de CO2 – que extrai muita fruta e pouco tanino.
O uso de recipientes como tanques de aço inoxidável ou cimento também é fundamental para manter a pureza da fruta, evitando o carvalho novo, que adiciona peso e aromas de baunilha e tostado. Técnicas como “maceração curta e menos pigeage” – o ato de afundar as cascas no líquido – são cruciais para evitar uma extração agressiva.
Essa tendência da vez também está alinhada com a sustentabilidade. A redução de extração, o uso de menos madeira e a busca por menos álcool são as grandes novidades na produção atual. Além disso, há um resgate de castas históricas, preservando a acidez natural em detrimento da potência alcoólica.
O terroir – a combinação de fatores como solo, altitude e clima – também desempenha um papel fundamental. Regiões de altitude ou com influência marítima são ideais, pois a planta preserva a acidez e não acumula tanto açúcar. Em anos muito quentes, a safra se torna mais fresca e chuvosa, favorecendo o estilo de vinho desejado.
Castas como Gamay e Pinot Noir são clássicos, especialmente em regiões frias. Frappato, Poulsard e Cinsault também são variedades que mantêm sua identidade a baixas temperaturas. No Chile, a uva País se destaca, principalmente em versões Pipeño – um vinho simples, de consumo local, com pouca intervenção e sem madeira nova.
Na Argentina, a Cereza surge como uma estrela, com baixíssima concentração de cor e estrutura. Na Europa, o Vale do Loire, na França, é famoso por seus Cabernet Francs mais herbáceos e fluidos, enquanto a Ilha da Madeira produz Bastardo com tintos superleves e frutados, e a Trousseau (conhecida como Bastardo em Portugal) também se destaca.
O objetivo, em todas elas, é a preservação da essência da fruta.
Como resume Juliana Carani, o objetivo é garantir a “vontade de bebericar”, um atributo que os chillable reds entregam com um charme irresistível para os dias de verão.
Alguns rótulos que as sommeliers recomendam:
- Barbeito Vinhas do Farrobo Bastardo – Ilha da Madeira: Um Bastardo 100% que mostra o lado mais leve e atual da Madeira.
- Durigutti Cara Sucia Cereza – Mendoza: Um Cereza orgânico e cheio de frescor.
- Jardin Oculto Negra Criolla 2020: Um vinho de uva Negra Criolla do Vale de Cinti, Bolívia.
- Sanabria Águas de Março Gamay – Monte Belo do Sul: Um Gamay brasileiro com o espírito de Beaujolais.
- De Martino Viejas Tinajas Cinsault – Vale do Itata, Chile: Um Cinsault com pureza de frutas e frescor.
- Pipeño 2020 Cacique Maravilla: Um vinho simples, de consumo local, com pouca intervenção e sem madeira nova.
- UnLitro 2022 Ampeleia: Um vinho de uvas Alicante Nero, Carignano, Mourvédre, Sangiovese e Alicante Bouschet.
Autor(a):
Redação
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