Custo Elevado de Metais Preciosos Pressiona Vivara e Reduz Expectativas de Bancos
Apesar do brilho contínuo das joias nas vitrines, os custos de produção estão pesando significativamente nos bastidores. A alta acentuada nos metais preciosos colocou a Vivara (VIVA3) em uma posição delicada, levando instituições financeiras a revisarem suas projeções para a varejista.
Bancos como Itaú BBA, Banco Safra e XP Investimentos reduziram seus preços-alvo das ações da empresa, classificando o cenário atual como mais desafiador. O principal motor dessa preocupação é o aumento dos custos, impulsionado sobretudo pela valorização expressiva do ouro e da prata.
Impacto das Tensões Geopolíticas nos Custos Operacionais
Desde o início das tensões geopolíticas, já em 2025, os preços dos metais têm pressionado as margens de lucro da companhia. Os analistas apontam que esse cenário de custos elevados não deve apresentar alívio no curto prazo, visto que a instabilidade global mantém esses ativos como refúgios seguros.
A demanda industrial por prata, em particular, deve permanecer alta. Segundo os analistas da XP, isso configura um desafio estrutural de preços, e não apenas um choque passageiro. Contudo, há espaço para alguma moderação no mercado de commodities, que é historicamente volátil e imprevisível.
Estratégias Sugeridas para a Vivara Manter a Rentabilidade
Para contornar a pressão de custos, a XP Investimentos sugere que a Vivara adote algumas medidas. Uma delas é o aumento dos preços das joias, já que a marca ainda se posiciona abaixo da concorrente Monte Carlo. Além disso, é crucial melhorar a eficiência operacional para conseguir reduzir despesas.
Otimização de Estoques e Avaliação de Indicadores
Na linha Life, a corretora aponta que a otimização dos estoques pode gerar ganhos de eficiência, diminuindo o capital que fica parado. Com isso, os analistas consideram que o retorno sobre o capital investido (Roic) permanece saudável, não sendo uma preocupação imediata.
A XP revisou o preço-alvo da Vivara para R$ 38, ante o valor anterior de R$ 41. Atualmente, as ações negociam em torno de R$ 27. O Safra também alertou sobre os altos níveis de estoque, sinalizando risco de desaceleração na produção e menor aproveitamento de incentivos fiscais.
Recomendações de Outros Bancos e Perspectivas Futuras
O Itaú BBA, por sua vez, reconheceu a resiliência da Vivara, que tem conseguido ajustar preços e manter as margens. Apesar das revisões negativas nas estimativas de lucro, o banco manteve a recomendação de compra, embora tenha reduzido o preço-alvo para R$ 36, antes de R$ 39.
Os analistas do Itaú BBA acreditam que a empresa sustentará sua rentabilidade através de reajustes seletivos, melhoria na produção e um mix de produtos mais equilibrado. Há expectativa de melhora na geração de caixa em 2026 com a normalização dos estoques, embora a linha Life ainda represente um ponto de atenção devido à sua sensibilidade ao preço da prata.
