XP Investimentos projeta Selic acima de 13,75% e dólar em R$ 5,00 em 2026

Projeções da XP Investimentos Apontam para Selic Mais Alta e Dólar em R$ 5,00 em 2026
Diante do cenário global instável, a XP Investimentos revisou suas projeções para a taxa Selic e para o câmbio ao final de 2026. A instituição elevou a expectativa para a Selic de 13,50% para 13,75%, atribuindo a mudança a fatores como a persistência da guerra no Oriente Médio e o impacto contínuo do aumento do preço do petróleo na inflação global. Essa situação complexa exige cautela por parte dos bancos centrais.
Pressões Inflacionárias e Aumento da Selic
O relatório da XP destaca que o ambiente internacional permanece desafiador, mas o Brasil se posiciona como um “vencedor relativo” devido à sua posição como exportador líquido de commodities, especialmente petróleo. O aumento do barril de Brent, que ultrapassou US$ 100, impulsionou as pressões inflacionárias, levando os principais bancos centrais a adotarem uma postura mais conservadora. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas de juros, mas intensificou o tom de advertência, enquanto o Banco Central Europeu e o Banco da Inglaterra sinalizaram a possibilidade de novas altas.
Em território nacional, a XP acredita que o Banco Central do Brasil enfrenta um duplo desafio: um choque externo ligado à energia e um choque doméstico de demanda, impulsionado por medidas fiscais e parafiscais. Como resultado, a instituição revisou para cima as projeções de inflação e juros. A expectativa para o IPCA de 2026 passou de 5,1% para 5,3%, e a previsão para 2027 permaneceu em 4,0%. A deterioração das expectativas inflacionárias reforça a necessidade de uma política monetária mais restritiva, com a projeção de três cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, seguidos de uma pausa no ciclo de flexibilização.
Projeção do Câmbio e Cenário Fiscal
A XP também revisou sua projeção para o câmbio ao final de 2026, elevando-a de R$ 5,30 para R$ 5,00 por dólar. A instituição argumenta que o real tem se beneficiado da posição do Brasil como exportador de petróleo e da manutenção de juros elevados, o que sustenta os fluxos estrangeiros para o país. A expectativa é de que o déficit em conta corrente diminua para 2,1% do PIB em 2026, após 3,0% em 2025, impulsionado pelas exportações de petróleo, com uma projeção de 1,9% para 2027.
Apesar do cenário externo mais favorável, a XP alerta para a importância do acompanhamento do quadro fiscal. O aumento das despesas públicas, financiado por receitas extraordinárias ligadas ao petróleo, elevou as projeções de déficit primário para 2026 e 2027. A dívida bruta deve atingir 83,2% do PIB em 2026 e subir para 87,7% em 2027. A instituição ressalta que, embora o choque positivo do petróleo melhore temporariamente a arrecadação, a necessidade de reformas estruturais para reequilibrar as contas públicas no médio prazo permanece.
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Análise Política e Debate Fiscal
No âmbito político, a XP considera maio como um mês decisivo para avaliar a popularidade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto, segundo a análise, planeja implementar medidas de estímulo econômico, como programas de renegociação de dívidas, visando melhorar a percepção do eleitorado. O debate sobre o fim da escala 6×1 no Congresso também está em evidência, com riscos fiscais adicionais caso a medida seja acompanhada de desonerações. A oposição, liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, deve manter uma postura cautelosa.
Autor(a):
Redação
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