Acordo Mercosul-UE: Como o vinho europeu chegará mais barato no Brasil?

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25/04/2026 8:06

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(Imagem de reprodução da internet).

Impacto do Acordo Mercosul-UE nos Vinhos Importados

Os vinhos de origem europeia, que chegam ao Brasil com preços elevados, podem enfrentar mudanças significativas no futuro próximo. Isso se deve ao novo acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, cuja entrada provisória está prevista para 1º de maio.

Este acordo visa eliminar gradualmente as tarifas de importação sobre vinhos europeus, que atualmente somam 27%. Segundo o sommelier Fernando Moreira, da importadora Santo Vino, o principal efeito será a redução progressiva desses impostos.

A Complexidade do Preço Final da Garrafa

Apesar da expectativa de redução tarifária, o impacto direto no bolso do consumidor deve ser mais gradual e moderado do que se imagina inicialmente. O preço de um vinho importado no Brasil é determinado por uma cadeia de custos bastante complexa.

Custos Além da Tarifa de Importação

A tarifa de importação é apenas um dos componentes do valor final. Impostos internos como ICMS, IPI, PIS e COFINS, somados aos custos logísticos, câmbio e margens comerciais, elevam consideravelmente o preço.

Um estudo do IBPT, Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, aponta que esses custos internos podem representar até 50% do valor final da garrafa. Assim, a redução da tarifa europeia, embora relevante, não é o fator determinante isolado.

Como o Consumidor Sentirá a Mudança

Fernando Moreira esclarece que a redução tarifária terá um impacto limitado na ponta de venda. Embora haja expectativa de queda, o consumidor não verá uma alteração abrupta no preço.

A tendência é que apenas uma fração da diminuição tarifária seja repassada ao consumidor final. Esse efeito será incorporado de maneira gradual ao longo do tempo, sendo mais visível em segmentos de maior volume de vendas.

Mudança de Mercado e Comportamento do Consumidor

O cenário mais provável aponta para uma mudança de posicionamento dos produtos. Vinhos europeus que hoje estão em faixas de preço mais altas podem migrar para categorias intermediárias, aumentando o acesso sem necessariamente se tornarem muito baratos.

Essa faixa intermediária é onde o mercado tende a se movimentar mais intensamente. Com maior acesso, o consumidor pode começar a explorar regiões e uvas menos conhecidas, diminuindo a dependência de países tradicionais.

A Reação dos Fornecedores do Novo Mundo

Atualmente, o Chile lidera as exportações para o Brasil, com US$ 213 milhões no último ano, superando a soma de Portugal e Itália, que somam US$ 133,8 milhões. Contudo, o novo acordo deve movimentar o mercado sul-americano.

Moreira sugere que Chile e Argentina devem reagir estrategicamente, focando em consolidar marcas reconhecidas e valorizar suas identidades, como a Malbec argentina. A disputa, contudo, deve focar em elevar o nível qualitativo, e não apenas em uma guerra de preços.

Beneficiários da Nova Dinâmica do Mercado

O benefício não se restringe apenas ao consumidor. Toda a cadeia produtiva tende a ser beneficiada, embora em graus diferentes. Os importadores ganham acesso a portfólios mais competitivos e maior poder de negociação com produtores europeus.

O varejo, por sua vez, amplia a oferta e qualifica seu mix de produtos. O ganho estrutural principal é que o mercado brasileiro de vinhos tende a se tornar mais sofisticado e maduro, impulsionado pela maior concorrência internacional.

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