Ânima Educação vê ações despencarem após aquisição da FMU

Ações da Ânima Educação (ANIM 3) despencam em 30% nesta terça – feira (15), após anúncio da aquisição da FMU, instituição em recuperação judicial. A operação, avaliada em R 560 milhões, gerou críticas de grandes instituições financeiras.
Contexto da Aquisição e Críticas Financeiras
A Ânima Educação anunciou a compra da FMU, que havia sido vendida para a gestora Farallon há cinco anos por R500 milhões. A companhia desembolsou R 560 milhões, incluindo R410 milhões para o patrimônio e R 150,3 milhões para quitar dívidas. No entanto, a operação envolve passivos estimados em R400 milhões, em disputa judicial com a família fundadora da FMU, referentes a aluguéis e IPTU.
R 94,5 milhões são dívidas bancárias, R 63 milhões parcelamentos de tributos federais e R 38,7 milhões impostos municipais, além de um caixa negativo de R 46 milhões. A Ânima justifica esses passivos como parte do plano de recuperação judicial da FMU, aprovado em fevereiro.
Instituições financeiras como BTG Pactual, Itaú BBA, Citi, JP. Morgan, Bradesco BBI e Jefferies questionaram os termos da aquisição e seus impactos. O preço de R 560 milhões e a incerteza sobre os passivos são os principais pontos de preocupação.
Histórico da FMU e Divulgação da Operação
A FMU foi vendida para a Farallon em 2011. A Ânima divulgou a aquisição após publicar um fato relevante na terça – feira (14), mas omitiu o endividamento de R 150,3 milhões, revelando os dados posteriormente em reunião com analistas e investidores.
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Essa forma de divulgação gerou críticas e reacendeu especulações sobre um suposto acordo de recompra (“put”) com a Farallon durante a aquisição da Laureate Brasil em 2020. A Ânima negou qualquer relação entre a aquisição da FMU e o contrato da época.
Reação do Mercado e Corte de Recomendação
O BTG Pactual rebaixou sua recomendação para as ações da Ânima de compra para neutra, reduzindo o preço – alvo dos papéis de R 7 para R 4. Os analistas Samuel Alves e Maria Resende argumentam que o alto custo de capital, a estrutura financeira da companhia, a incerteza sobre a trajetória dos juros e a situação da FMU em recuperação judicial tornam a aquisição difícil de justificar.
Os analistas do BTG também destacam que a operação altera a tese de investimento da empresa, que vinha sendo sustentada pela geração de fluxo de caixa, maior capacidade de distribuição de dividendos e disciplina na alocação de capital.
Alavancagem e Relação com Empresas Comparáveis
Analistas do Citi e do Citi, e da JP. Morgan classificaram a aquisição como uma aposta cara. Os cálculos das instituições apontam que a FMU é avaliada em aproximadamente 10,6 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses, um patamar superior à média de cerca de 3,5 vezes observada entre as empresas comparáveis do setor.
A Ânima enfrenta agora uma preocupação crescente com o aumento da alavancagem, que deve subir de 2,66 vezes para 3,05 vezes após a conclusão da operação. A Ânima afirma que a operação está alinhada com o plano de recuperação judicial da FMU.
Autor(a):
Redação
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