Ânima Educação vê ações despencarem após aquisição da FMU

Ânima Educação enfrenta queda drástica nas ações após aquisição da FMU, com incertezas sobre passivos e críticas de mercado em 2026.

15/07/2026 13:22

3 min

ANIM3 despenca após compra da FMU e bancos criticam negócio foto: divulgação
ANIM3 despenca após compra da FMU e bancos criticam negócio foto...

Ações da Ânima Educação (ANIM 3) despencam em 30% nesta terça – feira (15), após anúncio da aquisição da FMU, instituição em recuperação judicial. A operação, avaliada em R 560 milhões, gerou críticas de grandes instituições financeiras.

Contexto da Aquisição e Críticas Financeiras

A Ânima Educação anunciou a compra da FMU, que havia sido vendida para a gestora Farallon há cinco anos por R500 milhões. A companhia desembolsou R 560 milhões, incluindo R410 milhões para o patrimônio e R 150,3 milhões para quitar dívidas. No entanto, a operação envolve passivos estimados em R400 milhões, em disputa judicial com a família fundadora da FMU, referentes a aluguéis e IPTU.

R 94,5 milhões são dívidas bancárias, R 63 milhões parcelamentos de tributos federais e R 38,7 milhões impostos municipais, além de um caixa negativo de R 46 milhões. A Ânima justifica esses passivos como parte do plano de recuperação judicial da FMU, aprovado em fevereiro.

Instituições financeiras como BTG Pactual, Itaú BBA, Citi, JP. Morgan, Bradesco BBI e Jefferies questionaram os termos da aquisição e seus impactos. O preço de R 560 milhões e a incerteza sobre os passivos são os principais pontos de preocupação.

Histórico da FMU e Divulgação da Operação

A FMU foi vendida para a Farallon em 2011. A Ânima divulgou a aquisição após publicar um fato relevante na terça – feira (14), mas omitiu o endividamento de R 150,3 milhões, revelando os dados posteriormente em reunião com analistas e investidores.

Leia também

Essa forma de divulgação gerou críticas e reacendeu especulações sobre um suposto acordo de recompra (“put”) com a Farallon durante a aquisição da Laureate Brasil em 2020. A Ânima negou qualquer relação entre a aquisição da FMU e o contrato da época.

Reação do Mercado e Corte de Recomendação

O BTG Pactual rebaixou sua recomendação para as ações da Ânima de compra para neutra, reduzindo o preço – alvo dos papéis de R 7 para R 4. Os analistas Samuel Alves e Maria Resende argumentam que o alto custo de capital, a estrutura financeira da companhia, a incerteza sobre a trajetória dos juros e a situação da FMU em recuperação judicial tornam a aquisição difícil de justificar.

Os analistas do BTG também destacam que a operação altera a tese de investimento da empresa, que vinha sendo sustentada pela geração de fluxo de caixa, maior capacidade de distribuição de dividendos e disciplina na alocação de capital.

Alavancagem e Relação com Empresas Comparáveis

Analistas do Citi e do Citi, e da JP. Morgan classificaram a aquisição como uma aposta cara. Os cálculos das instituições apontam que a FMU é avaliada em aproximadamente 10,6 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses, um patamar superior à média de cerca de 3,5 vezes observada entre as empresas comparáveis do setor.

A Ânima enfrenta agora uma preocupação crescente com o aumento da alavancagem, que deve subir de 2,66 vezes para 3,05 vezes após a conclusão da operação. A Ânima afirma que a operação está alinhada com o plano de recuperação judicial da FMU.

Autor(a):

Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!