BB avalia inadimplência no agronegócio e traça planos de recuperação para 2026

Banco do Brasil avalia inadimplência no agronegócio e traça planos de recuperação. Saiba como o BBAS3 ajustou garantias e prevê melhora em 2026!

23/04/2026 12:46

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(Imagem de reprodução da internet).

Banco do Brasil avalia inadimplência no agronegócio e traça planos de recuperação

O Banco do Brasil (BBAS3) enfrentou um questionamento central em seu recente investor day: qual é o estado da inadimplência, especialmente no setor do agronegócio? Após enfrentar dificuldades na carteira rural, o BB iniciou um novo ciclo de crédito no campo, adotando regras mais rigorosas e um foco maior no retorno ajustado ao risco.

Embora a pressão sobre o setor ainda exista, a diretoria do banco estatal sinaliza um ponto de virada. Após apertar garantias e revisar processos, a instituição prevê sinais de melhora já em 2026, com uma recuperação mais definida ao longo do ano.

Análise da crise no agronegócio e ajustes estratégicos do BB

Segundo executivos do Banco do Brasil, grande parte da pressão atual deriva de decisões tomadas há um ano, quando mais de 80% dos custeios com vencimento em abril foram concedidos sob condições mais flexíveis. Contudo, o “novo Banco do Brasil” já demonstra sinais positivos nos dados iniciais de 2026, conforme apontou Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar.

Reengenharia da carteira e novas garantias

O cerne da mudança reside na reengenharia da carteira do agronegócio, visando conter a inadimplência sem paralisar o fluxo de crédito para o setor. Um ajuste crucial foi a alteração nas garantias.

O modelo, que antes dependia muito de penhor e hipoteca, passou a valorizar a alienação fiduciária, dando ao credor maior controle sobre o bem financiado em caso de não pagamento. Bittencourt destacou que os números comprovam essa mudança: na safra 2024/2025, apenas 31% das operações tinham garantia real, enquanto na safra atual, esse índice subiu para 69%.

Melhorando a gestão de riscos e cobranças

Além das garantias, o banco revisou sua metodologia de cobrança, organizando processos para lidar com ondas de inadimplência de maneira mais ágil. A estratégia agora incorpora o uso intensivo de dados preditivos, permitindo que gerentes contatem clientes antes mesmo do vencimento das operações.

Outro pilar é a “matriz de resiliência”, uma ferramenta que distingue clientes momentaneamente pressionados daqueles com problemas estruturais. O objetivo é manter o relacionamento e o crédito com quem paga em dia, evitando um aperto excessivo que possa travar o financiamento do setor.

Previsão de recuperação do crédito no campo

Em um momento delicado para o agronegócio, Felipe Prince, vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos, observou que a redução da alavancagem dos produtores diminuiu a “pontualização”, ou seja, a capacidade de honrar dívidas rigorosamente em dia.

Para se antecipar à concorrência entre credores, o banco reforçou sua capacidade de abordagem precoce, utilizando dados para se posicionar antes dos demais na negociação com o cliente. Apesar do cenário apertado, a gestão espera melhora ao longo de 2026.

Projeção de indicadores

Após registrar o menor nível de pontualidade na safra anterior, o Banco do Brasil projeta recuperar esse indicador já na safra 2025/2026. Prince afirmou que a expectativa é retornar a um índice de 95% na safra 25/26 ou durante o ano de 2026, o que naturalmente reduzirá o volume de operações no fluxo de cobrança.

Expansão para o crédito consignado privado

Enquanto ajusta a área do agronegócio, o Banco do Brasil também foca no crédito consignado privado, conhecido como Crédito Trabalhador. Tradicionalmente forte no setor público, o BB agora mira um mercado privado mais fragmentado e com maior risco devido à volatilidade do emprego.

A resposta do banco foi criar uma política de concessão mais disciplinada, limitando o crédito a clientes que já possuem conta no banco, o que permite maior controle em caso de perda de vínculo empregatício. Prince explicou que, nesse cenário, é possível debitar diretamente da conta, mesmo sem desconto em folha.

Inovação no score de crédito

O banco desenvolveu um “score híbrido” que vai além do perfil do trabalhador, analisando também a saúde financeira da empresa empregadora, considerando indicadores como rotatividade e estabilidade do negócio. O BB também está avançando em melhorias tecnológicas, como a vinculação de garantias via FGTS e maior facilidade na vinculação da folha de pagamento em caso de troca de emprego.

Prince ressaltou que o BB foi pioneiro ao rodar uma base de alteração de vínculo empregatício, identificando mudanças antes mesmo da atualização oficial dos sistemas governamentais. Os resultados dessa estratégia “a mar aberto” já são visíveis, com a carteira de consignado privado atingindo R$ 17,2 bilhões e um market share de 13%.

A meta ambiciosa é alcançar 20% desse mercado. Bittencourt expressou confiança, afirmando que a aposta no consignado privado foi correta e que o banco possui a estrutura e capacidade necessárias para atingir esse objetivo com bom retorno.

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