Brasil e China: Nova Tarifa na Carne Bovina Impacta Exportações e Futuro da Indústria
O Brasil alcançou metade da cota anual de exportação de carne bovina permitida pela China, conforme dados divulgados pelo governo chinês no sábado, dia 9. Essa cota, com uma tarifa reduzida de 12%, representa um marco importante nas relações comerciais entre os dois países.
A partir do momento em que os embarques brasileiros atingirem 1,1 milhão de toneladas, a taxa de imposto sobre a carne passará a ser de 55%, um aumento que pode ocorrer nas próximas semanas.
Política Chinesa e Impacto na Produção
Essa mudança na política comercial chinesa, anunciada no final de 2025, visa limitar as importações e fortalecer a pecuária local. A nova regra entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano, e a China se mantém como o principal mercado consumidor de carne brasileira, consolidando o Brasil como o maior fornecedor da proteína para o país asiático e o maior exportador mundial.
Diante desse cenário, frigoríficos brasileiros estão acelerando os embarques para evitar a tributação mais elevada. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, projetou uma queda de aproximadamente 10% nas exportações de carne bovina para a China em 2026, em comparação com 2025, devido a essa medida.
Possível Interrupção da Produção
Segundo Perosa, alguns frigoríficos podem interromper a produção voltada ao mercado chinês já em junho, devido à perda de competitividade causada pela tarifa de 55%. Para compensar essa perda, o setor busca ampliar o consumo interno e explorar novos destinos de exportação.
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“Não há mercado que substitua a China”, afirmou o executivo, ressaltando a importância do país como principal destino da carne brasileira.
Novos Mercados e Desafios
Em 2025, o Brasil exportou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina, com 1,7 milhão de toneladas destinados à China, conforme dados da Abiec. Inicialmente, a associação esperava estabilidade nas exportações, apostando na abertura de novos mercados, como Coreia do Sul e Japão.
No entanto, a abertura do mercado sul-coreano não deve ocorrer em 2026, e o Japão continua sendo uma alternativa importante para reduzir os impactos da desaceleração das vendas para a China.
Impacto no Mercado Interno
A perspectiva de redução das exportações já começa a pressionar o mercado brasileiro do boi gordo. Analistas preveem que o aumento da oferta interna pode limitar o aumento dos preços da carne no Brasil, enquanto os frigoríficos buscam redirecionar parte da produção para outros países.
A dependência da China, por sua vez, reforça os riscos do setor diante de mudanças na política comercial chinesa.
Autor(a):
Redação
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