BTG Pactual Atualiza Análise e Define Preço-Alvo para Nvidia (NVDA)
O BTG Pactual (BPAC11) revisou sua perspectiva sobre a Nvidia (NVDA), apontando uma relação risco-retorno bastante atraente para a líder em inteligência artificial (IA). Em um relatório divulgado no último domingo, o banco estabeleceu um preço-alvo de US$ 237 para a ação.
Esse valor sugere um potencial de valorização de cerca de 20% em comparação com as cotações atuais, que giram em torno de US$ 200. O analista Vitor Melo, do BTG Pactual, justificou que isso implica um múltiplo implícito de saída de 21 vezes o lucro projetado para o ano fiscal de 2028, com término em 31 de janeiro de 2028.
O Potencial de Crescimento Além do Treinamento de IA
O banco ressalta que, além da alta demanda atual, que já impulsionou a receita de data centers da Nvidia em 15 vezes desde 2023, o futuro da empresa reside em uma nova área: a inferência.
A inferência é considerada a “próxima etapa da expansão da IA”. Diferentemente da fase de treinamento, que é o aprendizado do modelo, a inferência é a aplicação prática desse modelo já treinado. Espera-se que este mercado cresça a uma taxa composta anual (CAGR) de 44% entre 2024 e 2032.
A Transição da Demanda de IA
Segundo os analistas, o mercado de inferência deve superar o de treinamento em volume até 2029. O crescimento contínuo da IA em aplicações reais e projetos soberanos tende a ampliar a demanda, e não apenas concentrá-la.
Apesar de essa mudança poder alterar a distribuição de gastos entre chips, redes e sistemas, o BTG Pactual acredita que a Nvidia permanece na posição mais exposta à parte mais complexa e economicamente valiosa dessa curva de demanda.
Riscos e Desafios para o Investimento em Nvidia
Apesar do otimismo, o BTG Pactual aponta diversos riscos que os investidores devem monitorar. Estes riscos abrangem frentes competitivas, geopolíticas, operacionais e de mercado, totalizando cinco pontos principais.
Concorrência e Limitações Tecnológicas
Um ponto de atenção é o desenvolvimento de chips próprios (ASICs) pelas grandes empresas de tecnologia, como Google (TPUs), Amazon (Trainium), Meta (MTIA), Microsoft (Maia) e OpenAI (Titan). Esses chips visam reduzir a dependência das GPUs da Nvidia, especialmente no segmento de inferência.
Outro desafio é a possível canibalização da demanda por hardware devido a softwares de eficiência da própria Nvidia, que podem tornar os chips existentes muito mais potentes em certas tarefas. Além disso, avanços em modelos esparsos podem diminuir a carga computacional necessária.
Gargalos de Infraestrutura e Fornecimento
A infraestrutura de energia e os data centers podem não acompanhar o ritmo do crescimento do setor, criando um gargalo potencial. Adicionalmente, a linha de produção da Nvidia é altamente dependente de poucos parceiros, como TSMC para wafers e SK Hynix, Micron e Samsung para memória HBM.
Qualquer problema de rendimento ou necessidade de mudança forçada de fornecedor pode comprometer o cronograma de lançamentos e as margens da companhia. Por fim, os controles de exportação dos Estados Unidos continuam sendo uma restrição significativa para as operações da Nvidia na China, levando o banco a excluir receitas chinesas de seu modelo financeiro até maior clareza regulatória.
Perspectiva Final do Mercado
O cenário apresentado pelo BTG Pactual é de grande potencial, impulsionado pela transição para a inferência de IA. Contudo, a análise exige cautela devido aos riscos competitivos e geopolíticos mencionados. Os investidores devem acompanhar de perto a evolução dessas variáveis para avaliar o risco-retorno da Nvidia.
