Cadernetas de Escravizados Revelam Segredo Chocante do Século XIX

Cadernetas de escravizados chocam Brasil! Ministério Público e Caixa revelam 158 poupanças do século XIX. Um capítulo obscuro da história financeira é trazido

11/05/2026 13:49

2 min

Cadernetas de Escravizados Revelam Segredo Chocante do Século XIX
(Imagem de reprodução da internet).

Descoberta Chocante Revela Cadernetas de Escravizados no Século XIX

Uma investigação conjunta entre o Ministério Público Federal e a Caixa Econômica Federal revelou um fato surpreendente: a existência de pelo menos 158 cadernetas de poupança abertas por indivíduos escravizados durante o século XIX. Essa descoberta lança luz sobre um capítulo obscuro da história financeira brasileira, um período marcado por desigualdade e pela busca incessante por liberdade.

O levantamento, que inclui cerca de 14 mil documentos com mais de 150 anos, foi divulgado recentemente. A pesquisa busca entender como essa prática, aparentemente improvável, se desenvolveu e o que aconteceu com os valores acumulados por aqueles que sonhavam com a alforria.

A Caixa Econômica Federal, criada em 1861 para atender à população de baixa renda do Império, desempenhou um papel central nesse sistema.

A Busca pela Liberdade Financeira

Para muitos escravizados, a poupança era um caminho para alcançar a própria liberdade. A Lei do Ventre Livre, sancionada em 1871, representou um reconhecimento formal desse direito, mas a prática já existia antes, especialmente entre trabalhadores que conseguiam obter remuneração e guardar parte do que recebiam.

Esses indivíduos utilizavam seus recursos para adquirir a chamada carta de alforria, um documento que garantia a libertação.

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As estimativas atuais indicam que o montante acumulado nessas cadernetas, se convertido para a moeda corrente, equivaleria a aproximadamente R$ 300 mil. Um valor considerável, que reflete a esperança e o esforço de milhões de pessoas que viviam sob a escravidão.

Investigação e Busca por Reparação

Após a abolição da escravidão e a Proclamação da República, parte desses recursos pode ter permanecido sem ser resgatada. A investigação do Ministério Público Federal, liderada pelo procurador Julio Araujo, agora se concentra em determinar o destino desses valores.

A complexidade da situação reside na falta de organização dos arquivos e na escassez de informações sobre o destino desses recursos.

O MPF busca identificar possíveis herdeiros das contas, uma tarefa dificultada pelo fato de que muitos registros contêm apenas o primeiro nome da pessoa escravizada e o nome do proprietário da época. A investigação também busca um pedido formal de desculpas e, além disso, propõe reparações coletivas e individuais, reconhecendo a violação de direitos humanos que essa situação representa.

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