Dólar Cai: Especialistas Preveem Limites e Desafios para a Desvalorização

Dólar em Queda: Especialistas Alertam para Limites e Desafios
A recente queda do dólar em relação ao real, com a moeda atingindo patamares abaixo de R$ 5, representa um alívio para quem acompanhou a sua trajetória acima de R$ 6. Essa desvalorização, que não ocorria desde março de 2024, reacende a esperança de consumidores e empresas.
No entanto, especialistas alertam que essa tendência pode ser passageira, com um limite para a queda estabelecido em torno de R$ 4,90.
Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, uma gestora especializada em câmbio e juros, é um dos vozes que expressam essa cautela. Em uma participação no podcast “Touros e Ursos”, do Seu Dinheiro, Menezes destaca que, apesar do apoio de fatores externos, como o aumento dos preços do petróleo e a alta das taxas de juros, existem entraves estruturais que dificultam uma desvalorização mais acentuada do dólar.
Um desses entraves é o déficit em conta corrente, projetado em torno de 2,5% a 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB), considerado um nível elevado para países emergentes como o Brasil.
O déficit significa que o Brasil ainda exporta mais dólares do que importa, necessitando constantemente de capital estrangeiro para equilibrar essa balança. Além disso, Menezes ressalta o impacto das eleições, que, embora possam gerar pressão positiva sobre o dólar em cenários de alternância de poder, tendem a ser um efeito passageiro.
Leia também
O verdadeiro poder de influência reside no Congresso e no Senado, onde as reformas estruturais que podem fortalecer o real são debatidas e implementadas.
Taxas de Juros e o Cenário Econômico
A decisão dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos sobre as taxas de juros nesta “Super Quarta” também é um ponto crucial. A expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual no Brasil, seguindo o plano de afrouxamento monetário, apesar das incertezas causadas pela guerra.
No entanto, Menezes acredita que esse corte pode ser o último, devido à dificuldade do Banco Central em reduzir as taxas de juros abaixo de 13% ou 12,75% sem um ajuste fiscal mais consistente. A alta da inflação e o CDI elevado, em torno de 9,6% a 9,8%, contribuem para essa situação.
O gestor também chama a atenção para a resiliência da economia, que continua ativa mesmo com o custo do crédito alto, o que deveria esfriar o consumo e os investimentos. Isso sugere que o chamado “juro neutro”, o nível que equilibra a economia sem estimular ou frear demais, pode estar mais elevado do que se pensava.
Além do Câmbio: Análise de Ativos e Tendências
Em outra parte do programa, o debate se estende à análise de ativos que se destacaram na semana. Donald Trump e o Partido Republicano são apontados como “Ursos” devido aos impasses nas negociações de paz no Oriente Médio, refletindo a incerteza nos mercados.
Além disso, os mercados preditivos também são considerados “Ursos” devido à mudança regulatória que os enquadra como apostas online.
Do lado dos “Toros”, a Hapvida (HAPV3) se destaca com uma alta de 20% no mês, embora seja uma tese controversa. O Citigroup também é apontado como mal precificado e com potencial de ganho de eficiência. No setor de tecnologia, Nvidia e Intel chamam a atenção, com a primeira impulsionada pelos resultados do primeiro trimestre de 2026 e a segunda recuperando espaço na corrida por chips de inteligência artificial.
Autor(a):
Redação
Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real


