Jeferson Bittencourt Aponta Juros Altos como Sintoma de Problemas Estruturais

Jeferson Bittencourt destaca que juros altos no Brasil revelam falhas estruturais no sistema financeiro e na economia.

08/07/2026 11:16

3 min

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O Brasil enfrenta um desafio persistente: uma das maiores taxas de juros do mundo. A complexidade por trás desse cenário, longe de ser simples, envolve múltiplos fatores e perspectivas econômicas.

Segundo o economista – chefe do ASA e ex – secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, o juro alto não é a raiz do problema, mas sim um sintoma de uma série de dificuldades estruturais que o país enfrenta.

Contexto do Mercado e Perspectivas

Economistas apontam o desequilíbrio fiscal como um dos principais responsáveis pela Selic em dois dígitos. Paralelamente, especialistas com visões “heterodoxas” argumentam que a pressão do mercado financeiro contribui para manter os juros em níveis elevados.

Bittencourt enfatiza que os juros no Brasil são “sustentadamente altos”, oscilando em torno de dois dígitos, independentemente das flutuações. Essa persistência, segundo ele, é resultado de problemas “ecumênicos”, ou seja, interligados e presentes em diversos setores da economia e da sociedade.

A concentração bancária no Brasil é um dos exemplos citados. Apesar do crescimento das fintechs, o setor bancário ainda é dominado por grandes instituições, o que confere a essas empresas maior poder de influência sobre as taxas de juros.

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Outro fator relevante é a atuação do Judiciário. A tendência de favorecer o devedor, segundo Bittencourt, obriga os credores a cobrar juros mais altos como compensação pelo risco de perdas em eventuais processos judiciais.

A escassez de recursos disponíveis para crédito e a dívida pública também contribuem para o cenário de juros elevados. O Brasil enfrenta um momento de cautela, influenciado tanto por seus próprios problemas quanto pelas condições internacionais.

Impacto dos Conflitos Internacionais

Os conflitos internacionais, como a guerra no Irã, e a alta dos juros nos Estados Unidos forçam o Banco Central brasileiro a adotar uma postura mais prudente, evitando reduções bruscas na Selic que poderiam desencadear uma inflação descontrolada.

A expectativa inicial, antes da guerra no Irã, era de uma queda mais acelerada na Selic. No entanto, o Banco Central deve seguir um caminho de “cortes a conta – gotas”, com reduções de apenas 0,25 ponto percentual por reunião.

O objetivo é evitar que a inflação volte a disparar, garantindo a estabilidade econômica.

Requisitos para Juros Baixos e Duradouros

Para que o Brasil tenha juros baixos e duradouros, Bittencourt defende a necessidade de implementar reformas estruturais, como o controle dos gastos obrigatórios com a previdência e a revisão dos salários.

Sem essas medidas, o Banco Central fica “sem espaço” para manobrar, limitando sua capacidade de reduzir as taxas de juros.

O economista ressalta a importância da pressão da sociedade por essas reformas, pois os políticos tendem a evitar temas que podem afetar seu apoio popular no curto prazo.

Touros e Ursos

O programa Touros e Ursos analisa o mercado financeiro através de seus símbolos clássicos: o Touro, que representa alta, e o Urso, que indica baixa. Nesta semana, os ursos foram a empresa de moda Azzas 2154, devido a uma queda em seu valor de mercado, e um investidor estrangeiro que buscou lucros nos Estados Unidos.

Já no lado dos touros, brilharam as empresas de energia Taesa e Energisa, após um bom negócio entre elas, e o Spotify, que lançou uma série de shows para fãs.

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