Operação Compliance Zero: Polícia Federal Ganha Mais Autonomia na Investigação
A Polícia Federal deve concluir nos próximos dias a primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga o envolvimento do Banco de Brasília (BRB) e o caso relacionado ao Banco Master. O avanço na investigação ocorreu após o ministro André Mendonça, responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ampliar a autonomia da PF, conforme revelado por fontes próximas ao inquérito.
A primeira fase da operação, iniciada em novembro do ano passado, focou no controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que permanece preso preventivamente, e no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A segunda fase, lançada em janeiro, inclui o empresário Nelson Tanure e continua em andamento.
Mudanças na Condução do Inquérito
Inicialmente, a PF não possuía total liberdade para analisar os materiais apreendidos e obter quebras de sigilo, conforme apontado por fontes internas. A mudança significativa ocorreu na quinta-feira, quando Mendonça reduziu o nível de sigilo da investigação para o nível III.
Essa decisão permite que os policiais diretamente envolvidos na investigação tenham acesso aos documentos e possam coletar depoimentos nas dependências da corporação. Essa flexibilização representa um ponto de virada no processo.
Relembrando o Caso Banco Master
O caso do Banco Master estava sob a relatoria do ministro Dias Toffoli até a semana passada. Durante esse período, medidas restritivas limitaram o acesso da PF aos documentos e exigiram que os depoimentos fossem prestados no próprio STF.
Após questionamentos da corporação, formalizados em um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, Toffoli deixou a relatoria do caso. André Mendonça assumiu a responsabilidade e, em reunião com os delegados, sinalizou a liberdade para aprofundar as apurações.
Autonomia para os Delegados
A decisão de Mendonça estabelece que apenas autoridades e agentes diretamente ligados à investigação terão acesso às informações. Essa medida visa reforçar o sigilo profissional, incluindo a proteção de superiores hierárquicos.
Adicionalmente, o despacho permite que os delegados não precisem repassar integralmente os dados à Diretoria de Inteligência, responsável por casos sensíveis da instituição. Essa autonomia contribui para agilizar o processo investigatório.
