Em meio a complexas negociações para reestruturar uma dívida de aproximadamente R$ 65 bilhões, a Raízen (RAIZ4) apresentou uma proposta alternativa aos credores, conforme revelado pela Bloomberg News no último domingo (26). A reportagem, baseada em fontes internas, indicou que a empresa comunicou aos credores sua intenção de levantar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em capital adicional.
Essa quantia se juntaria aos R$ 4 bilhões já garantidos pelo investimento de Shell e pelo empresário Rubens Ometto, CEO da Cosan (CSAN3) e fundador da Raízen.
Detalhes da Proposta Financeira
A estratégia da Raízen visa fortalecer sua posição nas negociações, que ocorrem dentro de um processo de recuperação extrajudicial. A empresa, que enfrenta um desafio para avançar nas tratativas com os credores, busca flexibilizar as condições da dívida.
A proposta inicial de 70% de participação oferecida aos credores demonstra a cautela da empresa diante da situação financeira.
Resistência à Mudança no Conselho
Contudo, a Raízen resiste a uma das principais exigências dos credores: a saída de Rubens Ometto da presidência do conselho de administração. A empresa sinalizou disposição para criar um comitê de credores, buscando fortalecer o acompanhamento da governança, mas a permanência de Ometto na liderança do conselho permanece um ponto de resistência.
Proposta Agressiva de Conversão de Dívida
Paralelamente, credores e bondholders da companhia de açúcar e etanol avançaram com uma proposta ousada: a conversão de 45% da dívida em participação acionária, com a possibilidade de obter 90% do controle da empresa. Essa operação, conhecida como “debt-to-equity swap”, visaria aliviar a carga financeira da Raízen, suspendendo os pagamentos da dívida.
Essa proposta, no entanto, implicaria uma diluição da participação dos acionistas atuais, que incluem Cosan e Shell, com 50% das ações ordinárias cada, e outros investidores como BlackRock e Norges Bank.
Prazos e Impasses nas Negociações
Com o prazo final para um acordo marcado para 6 de junho, as negociações entre a Raízen e seus credores se intensificam. A situação demonstra a pressão sobre a governança da companhia e o desafio de encontrar um caminho para reestruturar a dívida em um curto espaço de tempo.
O impasse em torno da liderança do conselho e a proposta agressiva de conversão de dívida indicam que ainda há um longo caminho a percorrer para chegar a um acordo.
