Tensão EUA-Irã eleva custos: Indústria Brasileira enfrenta crise de insumos?

Tensão EUA-Irã afeta indústria! CNI aponta alta em insumos e petróleo Brent sobe 72,97%. Saiba como o Brasil enfrenta custos recordes em 2026.

24/04/2026 17:38

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(Imagem de reprodução da internet).

Impactos Econômicos Globais Afetam a Indústria Brasileira

Os efeitos econômicos decorrentes da tensão entre Estados Unidos e Irã reverberaram em escala mundial, e o Brasil não foi exceção. Um dos impactos mais notáveis foi sentido pela indústria, marcado pela elevação acentuada do preço médio das matérias-primas, conforme aponta a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O levantamento indica que o aumento dos custos de insumos essenciais, como o petróleo, tornou-se um grande desafio para o setor produtivo. O petróleo Brent, referência internacional, registrou alta de 72,97% desde o início do ano, cotado a US$ 105,31 por barril.

Já o WTI, usado no mercado americano, subiu 64,47%, atingindo US$ 94,39.

Aumento do Índice de Preços das Commodities

Esse avanço nas commodities fez com que o índice de evolução do preço médio das matérias-primas saltasse 10,8 pontos no primeiro trimestre de 2026. Comparativamente, no quarto trimestre de 2025, o indicador marcava 55,3 pontos, e na pesquisa divulgada nesta sexta-feira (24), atingiu 66,1 pontos.

Vale notar que esse nível de índice não era visto desde o segundo trimestre de 2022, período em que o fluxo industrial ainda se recuperava dos impactos da pandemia. O custo elevado dos insumos se consolidou como um dos principais problemas enfrentados pelo setor.

Principais Preocupações do Setor Industrial

A pesquisa, que envolveu pequenas, médias e grandes empresas, revela que a preocupação com o alto custo, e até mesmo a escassez, de matérias-primas é um dos maiores entraves para a indústria. Na edição anterior, no 4T25, este fator era citado por 17,3% dos entrevistados.

Atualmente, esse percentual subiu para 30,8%, posicionando as matérias-primas como o segundo maior problema das companhias, ficando atrás apenas das altas taxas de juros. Anteriormente, este era o sexto item na lista de queixas.

Carga Tributária e Desafios Macroeconômicos

Apesar da mudança no ranking, a carga tributária manteve-se na primeira posição de preocupação, apontada por 34,8% dos empresários no primeiro trimestre. Embora permaneça o maior problema, houve uma queda de 6,3 pontos percentuais em relação ao quarto trimestre do ano passado.

Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI, comentou que “esses fatores estão afetando o fôlego financeiro das empresas”.

Resultados Financeiros e Acesso ao Crédito

Com o aumento dos custos de matéria-prima e as apreensões sobre o cenário tributário e macroeconômico, há um sentimento de insatisfação com os resultados das empresas, especialmente nas pequenas. O índice de satisfação financeira da indústria foi de 47,2 pontos nos primeiros três meses do ano, abaixo dos 50,1 pontos registrados no trimestre anterior.

Para as pequenas empresas, o índice de satisfação foi de 42,6 pontos. Essa visão pessimista também se refletiu no lucro operacional, que registrou 41,9 pontos, o menor valor desde o segundo trimestre de 2020, período de impacto pandêmico.

Dificuldade de Crédito Persiste

Além do pessimismo financeiro, o setor aponta maior dificuldade em obter crédito. Mesmo com o início do ciclo de queda da taxa Selic, os juros permanecem elevados, em 14,75% ao ano. Consequentemente, o índice de acesso ao crédito caiu para 39 pontos nos primeiros três meses de 2026, em comparação com os 40,9 pontos de fim de 2025.

A confederação ressaltou que “O índice permanece muito abaixo da linha divisória de satisfação, revelando grande dificuldade de acesso ao crédito e, com a queda, demonstra que essa dificuldade se tornou mais intensa e disseminada entre os empresários industriais”.

Sinais de Recuperação na Produção

Apesar do clima de pessimismo em relação às finanças, o nível de produção apresentou um aumento em março. Os dados da CNI mostram que o índice subiu de 45,4 pontos em fevereiro para 53,7 pontos em março, um resultado positivo esperado para a transição de queda para alta na produção.

Em consonância com o aumento da produção, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que mede a operação industrial, cresceu de 66% para 69% no mesmo período.

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