Usiminas dispara após balanço de 1T26: o que impulsionou as ações?

Usiminas (USIM5) dispara após balanço de 1T26 com resultados acima do esperado! Saiba como o lucro e o câmbio impulsionaram as ações em 24/05.

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(Imagem de reprodução da internet).

Ações da Usiminas Disparam Após Balanço de 1T26 com Resultados Superiores

Assim como a física exige muita energia para decolar o aço, na bolsa de valores, um bom balanço pode dar o impulso necessário. A Usiminas (USIM5) é o exemplo, visto que suas ações dispararam nesta sexta-feira, dia 24, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26).

Os números apresentados ficaram acima do que o mercado esperava.

Por volta das 13h10, os papéis subiam 7,07%, atingindo R$ 7,72, o que representou a segunda maior alta do Ibovespa naquele dia. Curiosamente, no mesmo horário, o principal índice de ações caía 0,50%, marcando 190.427,53 pontos.

Destaques Financeiros do Primeiro Trimestre

A companhia reportou um lucro líquido que mais que dobrou entre janeiro e março deste ano, crescendo 166% em comparação com o mesmo período de 2025, totalizando R$ 896 milhões. Comparando com o quarto trimestre de 2025, o resultado mostrou um salto expressivo de 596%.

Análise do EBITDA e Impacto Cambial

O grande destaque, segundo análises do Safra e do Itaú BBA, foi o EBITDA ajustado. Embora tenha recuado 11% em relação ao ano anterior, ele saltou 56% em comparação com o trimestre anterior, chegando a R$ 653 milhões.

Diego Garcia, CFO da empresa, explicou em teleconferência que os resultados refletem não só a melhora operacional, mas também um positivo resultado cambial sobre a exposição ativa líquida e um impacto contábil não caixa em impostos diferidos, devido à valorização do real.

O Efeito da Valorização do Real no Resultado

Este foi o primeiro balanço da Usiminas com o dólar como moeda funcional, embora os valores ainda sejam apresentados em reais. Essa mudança faz com que itens ligados ao mercado internacional passem a ser contabilizados em dólar e depois convertidos para reais, tornando o resultado mais sensível às flutuações cambiais.

Garcia detalhou que a valorização do real gerou um ganho contábil de aproximadamente R$ 110 milhões na exposição ativa líquida. Além disso, houve um impacto contábil positivo de R$ 450 milhões em impostos diferidos, também ligado à variação cambial.

Outros Indicadores e Desempenho Operacional

O fluxo de caixa livre também superou as expectativas, alcançando R$ 84 milhões no trimestre. A alavancagem, medida por dívida líquida/Ebitda em reais, ficou negativa em 0,20 vez, melhorando em relação ao múltiplo negativo de 0,22 vez registrado no 4T25.

Por outro lado, a receita líquida da companhia atingiu R$ 5,87 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma queda de 14% em comparação com o mesmo período de 2025. A própria empresa atribuiu esse desempenho à redução nas unidades de Siderurgia e Mineração.

O Impulso da Siderurgia e Mineração

O que impulsionou os resultados foi a melhora no mix de vendas da siderurgia, com maior foco em produtos para o setor automotivo, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Mesmo com queda de 6,9% no volume total de vendas de aço comparado trimestre a trimestre, a receita líquida por tonelada aumentou em cerca de 5% no mercado doméstico e 9% nas exportações.

Essa elevação veio pela maior concentração de produtos de maior valor agregado. Soma-se a isso o reajuste de preços, com alta de cerca de 4% no mercado interno e redução de 3% no custo por tonelada, o que ampliou as margens de forma significativa.

Perspectivas e Desafios Futuros

A Usiminas enxerga um cenário mais complexo, pressionado por fatores externos. A diretoria aponta a situação no Irã como um grande fator de risco, pois eleva os preços de petróleo e gás natural, o que pode pressionar a inflação global e atrasar a queda de juros.

A expectativa é de aumento nos custos logísticos, com fretes marítimos e transporte interno mais caros. Contudo, na siderurgia, a leitura é de maior estabilidade, pois o segmento automotivo deve continuar sustentando a demanda, impulsionado pelo crescimento projetado de 4% na produção nacional de veículos em 2026.

Para proteger a rentabilidade, a empresa já implementou novos reajustes de preços em abril, focando nos mercados spot e de distribuição. A estratégia também inclui elevar a produção em Ipatinga e reduzir a atividade em Cubatão no curto prazo, visando ganhar eficiência em um ambiente desafiador.

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