Desafios no Varejo Alimentar e Crescimento Esperado para Farmácias
O setor de varejo alimentar enfrenta pressões significativas. O endividamento das famílias, o aumento dos gastos com apostas esportivas e até mesmo produtos como canetas emagrecedoras impactam negativamente as receitas dos supermercados.
Em contrapartida, as farmácias projetam um crescimento de seus números neste primeiro trimestre, segundo as expectativas do mercado. Para aumentar suas margens e conquistar mais espaço nesse setor, algumas varejistas, incluindo supermercados e até mesmo o Mercado Livre, estão avançando na venda de medicamentos.
Novas Estratégias de Varejistas no Setor Farmacêutico
O Mercado Livre iniciou um piloto de vendas de medicamentos em sua plataforma, utilizando uma farmácia parceira. Além disso, os supermercados podem se beneficiar de uma nova legislação que permite a comercialização de remédios dentro de suas lojas, desde que haja uma área dedicada.
Embora os efeitos dessas iniciativas ainda sejam modestos e possam ter alcance restrito, elas trazem mais comodidade aos consumidores, o que é crucial para o sucesso no longo prazo.
Projeções de Vendas para o Primeiro Trimestre de 2026
Segundo o BTG, o varejo de alimentos sinaliza sinais de fadiga nos últimos trimestres, tendência que deve persistir no primeiro trimestre deste ano. Grandes redes como Assaí e Grupo Mateus devem refletir essa dinâmica, conforme apontado em um relatório do BTG Pactual.
Desempenho de Grandes Redes de Varejo
No caso do Assaí, espera-se um crescimento de vendas de 0,5% em lojas já estabelecidas e 1% no total em comparação ao ano anterior, com margem Ebitda sem previsão de crescimento. O Grupo Mateus deve ganhar impulso com a aquisição do Novo Atacarejo, e seu balanço será divulgado em 14 de maio.
O Magazine Luiza deve registrar uma retração de 1,7% nas vendas, com queda ainda maior de 5% no ambiente online. Já as Casas Bahia, com balanço previsto para 13 de maio, devem apresentar alta de 20% no volume geral de vendas online, mas com queda de 2% nas lojas físicas, e encolhimento da margem Ebitda para 8%.
Destaque para o Setor Farmacêutico
O setor farmacêutico será o grande destaque do trimestre. Os dados da Raia Drogasil, divulgados em 5 de maio, devem manter-se fortes, alinhados com os dados setoriais da Sindusfarma, segundo o BTG. Um motor importante continua sendo o uso das canetas emagrecedoras.
As receitas da Raia Drogasil devem crescer 19% em relação ao ano passado, acompanhado por uma expansão na margem Ebitda. A Panvel também deve registrar alta de 12,5% nas receitas de lojas consolidadas e expansão de margens, com divulgação em 6 de maio.
A Integração de Farmácias nos Supermercados e o E-commerce
Uma lei sancionada em março pelo governo Lula permite que supermercados vendam medicamentos em suas lojas. A vantagem reside na margem bruta, que na venda de remédios varia entre 20% e 25%, superior aos 15% dos alimentos.
Contudo, a legislação exige que os medicamentos sejam expostos em um local separado, com caixa próprio e a presença de um farmacêutico. A conveniência e o envelhecimento populacional são fatores que impulsionam essa mudança, segundo a Abras.
Visão de Mercado e Desafios Logísticos
Especialistas apontam que a proximidade é um fator chave para a compra de medicamentos, pois o consumidor raramente estoca remédios em casa. No entanto, grandes lojas tendem a ficar distantes dos bairros residenciais.
No comércio eletrônico, a disputa é acirrada entre plataformas como Shopee, Amazon, TikTok Shop, iFood e Rappi. Para competir, as empresas precisam investir pesadamente em logística e aquisição de clientes.
Perspectivas Futuras para o Varejo
O Mercado Livre, após adquirir uma farmácia no ano passado, lançou um piloto em São Paulo, inicialmente em bairros nobres, utilizando farmácias parceiras. O BTG ressalta que, mesmo com mudanças legais, criar um modelo totalmente digital e escalável no segmento farmacêutico ainda é um desafio.
A tendência é que a entrada do Meli nesse campo seja gradual. O objetivo não é apenas liderar a categoria, mas sim gerar dados valiosos para consolidar o Mercado Livre como uma “superplataforma” de consumo essencial, onde a conveniência se torna a arma mais poderosa na guerra do varejo.
