América Latina: Minerais críticos definem o futuro energético e poder global?
América Latina tem reservas minerais cruciais! Descubra como a região pode transformar minérios em tecnologia e blindar sua economia contra disputas globais.
América Latina deve usar reservas minerais para impulsionar a transição energética
Lideranças latino-americanas consultadas pela Agência Brasil apontam que os países da região precisam aproveitar suas vastas reservas de minerais críticos e terras raras. O objetivo é desenvolver uma indústria própria voltada para a transição energética.
O controle desses minerais é um ponto central na disputa comercial global entre China e Estados Unidos (EUA), visando a liderança econômica mundial. Os especialistas acreditam que, ao industrializar o uso desses recursos, a América Latina evitará ser apenas uma exportadora de matéria-prima.
Fortalecendo a economia regional e o poder de barganha
Desenvolver a própria indústria local fortalece a economia da América Latina e aumenta seu poder de negociação no cenário internacional. Isso permite que a região não se restrinja ao papel de mera fornecedora de recursos brutos.
A importância do processamento local
Andrés Camacho, ex-ministro de Minas e Energia da Colômbia, ressaltou que a presença desses minerais na América Latina é uma oportunidade para criar empregos de qualidade e diminuir a dependência tecnológica. Ele citou o exemplo do lítio.
Segundo Camacho, é crucial avançar na produção de lítio não apenas para exportá-lo, mas para aprimorá-lo, transformando-o em produtos como baterias, essenciais para carros elétricos. O cobre, por sua vez, é vital para painéis solares e eólicos.
Dados sobre minerais estratégicos
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que a América Latina detém cerca de 45% do lítio e 30% do cobre mundial. Cecilia Nicolini, deputada pela Argentina e ex-secretária de Mudanças Climáticas, reforçou essa ideia.
Ela defendeu que os países não devem se limitar a exportar minerais brutos. É possível usar esses recursos para desenvolver tecnologias e participar ativamente da cadeia de valor, garantindo um mínimo poder de negociação global.
A cooperação regional como caminho para a soberania energética
As discussões ocorreram no Rio de Janeiro (RJ), durante o Seminário Internacional Energia, Integração e Soberania, promovido pelo Ineep, em parceria com a Fundação Perseu Abramo e a Fundação Friedrich Ebert Brasil.
Ticiana Alvares, diretora técnica do Ineep, observou que a lógica comercial global está sob pressão devido às disputas geopolíticas entre China e EUA. Isso abre espaço para a América Latina.
Ela sugeriu que a internalização de insumos essenciais deve ocorrer de forma regional. Um exemplo citado foi o tema dos fertilizantes, onde a cooperação entre países como Brasil, Argentina e Bolívia, ricos em gás natural, seria fundamental.
O cenário geopolítico e a dependência tecnológica
A AIE classifica a América Central e do Sul como regiões ricas em minerais como lítio, cobre, grafite, terras raras, níquel, manganês, prata e bauxita. A dependência dos EUA por esses materiais gera tensões geopolíticas.
O relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos de 2026 aponta que Washington depende de importações para mais da metade do lítio e mais de dois terços dos compostos e metais de terras raras que consome.
Por outro lado, a China domina o processamento e refino desses minerais, com forte influência no refino global de cobre e no processamento de lítio e cobalto, segundo a AIE.
A necessidade de acordos de tecnologia e soberania nacional
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a América Latina já passou por ciclos econômicos como o ouro, a prata e o minério de ferro, sem aproveitar totalmente a riqueza natural. Ele alertou que não se deve repetir esse histórico.
Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar acordos sobre o tema, garantindo que o processo de transformação ocorra internamente. “Vamos agora assumir a responsabilidade. Isso é uma questão de segurança nacional para nós”, declarou.
Para garantir o avanço, é preciso que os países detentores dos minerais negociem a transferência de tecnologia. Ticiana Alvares concluiu que a China não transferirá tecnologia por vontade própria; é preciso exigir essas condições, replicando o caminho que a própria China trilhou em suas cadeias de valor.
Autor(a):
Redação
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