Bradesco BBI Projeta Recuperação Gradual no Mercado de Crédito Privado

Mercado de Crédito Privado: Bradesco BBI Avalia Recuperação Gradual
O setor de crédito privado tem passado por um período de instabilidade, marcado por uma série de eventos que geraram preocupação entre os investidores. Entre março e abril deste ano, observou-se o aumento dos spreads, o resgate maciço de fundos e a redução do apetite por risco, com o receio de novos eventos de crédito se intensificando.
No entanto, Felipe Thut, diretor do Bradesco BBI, acredita que o momento mais crítico pode já ter passado.
Durante um almoço fechado com jornalistas na sede do banco, Thut destacou que o fechamento dos spreads, que medem o risco de crédito, tem ocorrido de forma significativa nas últimas três semanas. Ele atribui essa mudança a um movimento doméstico de reprecificação de risco, desencadeado por uma sequência de eventos de crédito que fizeram os investidores reavaliar as taxas de remuneração dos spreads.
O cenário, antes de apresentar sinais de recuperação, com o indicativo de mercado secundário para papéis Triple A atrelados ao CDI voltando para a faixa de 0,75%.
Análise do Estresse no Mercado Brasileiro
Segundo o Bradesco BBI, o estresse no mercado de crédito brasileiro foi influenciado pela abertura dos spreads, que acompanhou os consecutivos eventos de crédito domésticos, reacendendo o temor de surpresas negativas no mercado corporativo. Apesar disso, o banco não enxerga o movimento como uma crise estrutural de liquidez.
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O executivo avaliou que o mercado reagiu rapidamente, ajustando preços e normalizando os spreads nas últimas semanas.
O Problema Não é o Endividamento
A visão do BBI é que o cenário das empresas brasileiras não se caracteriza por uma crise de excesso de endividamento. Embora a relação dívida líquida/Ebitda tenha aumentado de 1,9 vez em 2022 para cerca de 2,5 vezes atualmente, o ponto crítico não é o volume da dívida, mas sim o custo para carregá-la em um ambiente de juros elevados por mais tempo.
Muitas empresas operam com estruturas financeiras administráveis, mas sob uma pressão maior de despesa financeira.
Preocupações com Recuperações Judiciais
Uma das maiores preocupações dos investidores continua sendo a possibilidade de novos eventos de recuperação judicial inesperados, capazes de travar a liquidez e provocar a abertura de spreads. No entanto, o radar do banco não aponta para grandes “bombas” entre as companhias de maior porte.
Boa parte dos casos recentes já dava sinais perceptíveis para quem acompanhava de perto o nível de alavancagem e deterioração operacional dessas companhias.
Eleições de 2026 e a Selic
Apesar do desconforto crescente do mercado com as eleições de 2026 e com a trajetória dos juros, o Bradesco BBI não vê, neste momento, um risco disseminado de pressão financeira nas grandes companhias. Boa parte das empresas aproveitou a janela de spreads mais baixos entre 2024 e 2025 para reorganizar seus passivos e alongar vencimentos, o que reduziu a pressão de curto prazo sobre o caixa das companhias.
O calendário de vencimentos hoje é considerado relativamente confortável, com poucos pagamentos concentrados em 2026 e 2027. A curva começa a ganhar mais volume apenas a partir de 2029.
Estratégias do Bradesco BBI em Tempos de Volatilidade
Com o mercado tradicional de debêntures desacelerando nos momentos de maior estresse, o Bradesco BBI decidiu acelerar nas operações sofisticadas. A área de Finanças Estruturadas ganhou protagonismo, oferecendo soluções customizadas que muitas vezes ficam fora do mercado tradicional.
Entre elas, operações em holdings, cessão de recebíveis e estruturas off-balance.
O avanço dessa estratégia se reflete no ganho de market share do banco, que saiu de 14% em 2023 para 21,4% em abril de 2024, aproximando-se do patamar que Thut considera compatível com o tamanho do Bradesco no mercado. Mesmo com altas Treasuries, o Brasil continua atraente lá fora.
Autor(a):
Redação
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