Emendas Parlamentares e “Dark Horse”: Conexões Polêmicas Reveladas em Investigações

Emendas Parlamentares e Ligações com Filme “Dark Horse” Suspeitas
Uma investigação recente revelou um padrão de emendas parlamentares destinadas a empresas e entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, entre 2023 e 2026. Dados obtidos pelo portal de transparência do Estado de São Paulo indicam que deputados estaduais de São Paulo destinaram cerca de R$ 700 mil para essas entidades.
A reportagem aponta conexões com figuras do setor cultural e político, levantando questionamentos sobre a origem e o destino desses recursos públicos.
Contato entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
Segundo informações divulgadas pelo Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve contato com Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. A reportagem aponta que Flávio solicitou recursos para a produção do filme “Dark Horse”.
Em mensagens trocadas um dia antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o senador cobrava parcelas relacionadas ao projeto, indicando uma possível influência na alocação de fundos.
Produtora e Entidades Recebem Recursos Públicos
A produtora Go Up, responsável pelo filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem Karina Gama como sócia-administradora. Ela também controla outras empresas e entidades do setor cultural que foram beneficiadas por recursos públicos.
Leia também
Karina Gama negou que a produtora tenha recebido dinheiro diretamente de Vorcaro ou de investidores brasileiros. A Polícia Federal investiga a possibilidade de um fluxo de recursos para fora do país, especificamente para um fundo nos Estados Unidos chamado Havengate.
Investigações e Emendas Parlamentares
O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, recebeu três emendas impositivas de deputados estaduais. Em 2023, a deputada Valéria Bolsonaro destinou R$ 100 mil para a compra de equipamentos, um valor pago em dezembro daquele ano. Em 2025, o deputado Lucas Bove tentou destinar R$ 213 mil, mas a emenda foi bloqueada por impedimentos técnicos.
O governo paulista atribui esses impedimentos a falhas na documentação, prazos ou requisitos legais. O parlamentar cancelou o repasse por falta de documentação da entidade.
Outros Deputados e Projetos Culturais
O deputado Luiz Fernando (PT) também destinou R$ 190 mil ao Instituto Conhecer Brasil para projetos culturais, mas o valor ainda não foi empenhado. A solicitação partiu de um grupo de teatro que indicou a entidade. O deputado afirma que já destina recursos semelhantes desde 2015 para projetos culturais.
Outro caso envolve o deputado Gil Diniz (PL), que destinou R$ 200 mil para a série documental “Heróis Nacionais”, repassada à ANC (Academia Nacional de Cultura), também presidida por Karina Gama.
Rede de Emendas e Contratos
A investigação revela uma complexa rede de emendas e contratos envolvendo diferentes esferas. A Folha de S.Paulo revelou que, apesar das declarações de Flávio Bolsonaro sobre a ausência de dinheiro público, a produtora e entidades ligadas receberam emendas federais.
Além disso, a entidade firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para fornecimento de internet em comunidades de baixa renda, recebendo R$ 108 milhões em contrato com a gestão municipal, conforme revelado pelo Intercept Brasil. Em 2025, o Instituto Conhecer Brasil também recebeu cerca de R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mário Frias.
Outras produções ligadas à rede receberam recursos de parlamentares federais como Bia Kicis, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. O dinheiro foi repassado em 2024 por meio de emenda Pix ao Estado de São Paulo, tendo como destino final a ANC (Academia Nacional de Cultura).
Autor(a):
Redação
Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real


