Master, Vorcaro e SDG II: Esquema de Fraude Revela Milhões em Bancos

Operações Complexas Revelam Esquema de Fraude no Banco Master
Uma investigação em andamento expôs uma complexa rede de operações envolvendo o banco Master, fundos de investimento e uma série de empresas. A trama, que se desenrolou entre 2020 e 2024, revelou como o banco utilizava recursos de fundos para “limpar” seu balanço, mascarando dívidas de empresas ligadas à instituição e abrindo caminho para novas operações.
A principal peça central dessa teia foi o fundo SDG II, que investiu R$ 3,6 bilhões em empréstimos associados a uma fraude liderada por Daniel Vorcaro.
O esquema funcionava de forma a evitar que um eventual calote no banco afetasse diretamente seu balanço. O Master captava dinheiro por meio de CDBs, emprestava esses recursos a empresas de fachada e, em seguida, essas empresas aplicavam os valores em fundos como o SDG II.
Os fundos, por sua vez, compravam os empréstimos feitos pelo banco, permitindo que as empresas não pagassem os valores devidos. Essa estrutura permitia que o Master continuasse operando, mesmo com a existência de dívidas não pagas, e que os cotistas do SDG II, incluindo o Hans 95, se beneficiassem com os investimentos.
Detalhes da Operação e Envolvimento de Fundos
O impacto de um calote deixava as contas do banco e passava para os cotistas do SDG II. Após a operação, o próprio fundo assumia a tarefa de cobrar os empréstimos. Segundo as apurações, o uso dos fundos fechava um ciclo de operações sob investigação.
Leia também
O Master captava dinheiro com CDBs, emprestava esses recursos a empresas de fachada. Depois, essas companhias aplicavam os valores em fundos. Por fim, os fundos usavam parte do dinheiro para comprar os empréstimos feitos pelo próprio banco.
Outros fundos envolvidos na operação incluíram o Lancia!, que ajudava a explicar como empresas com empréstimos repassados aos fundos conseguiam adiar pagamentos. A Banvox, pertencente a Mauricio Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Master, também estava envolvida, com uma debênture de R$ 380 milhões no SDG II.
A Super Empreendimentos e Participações também apareceu no balanço do SDG II, com R$ 22 milhões em créditos a receber. Juntos, esses fundos possuem R$ 65,5 bilhões em ativos.
Impacto Financeiro e Envolvidos
O balanço do SDG II mostra que, dos R$ 3,6 bilhões em ativos ligados à fraude do Master, pelo menos R$ 1,1 bilhão corresponde a direitos creditórios que o próprio banco vendeu ao fundo. A Lormont Participações concentrava o maior volume, com quase R$ 553 milhões em créditos no SDG II, muitos dos quais originários de vendas feitas pelo Master.
O empresário Nelson Tanure, ligado à Lormont, justificou a relação como uma “relação de operações financeiras corriqueiras”.
A investigação também revelou que as operações ocorriam com adiantamentos de pagamentos, como na debênture da NGV SPE, que somava R$ 30 milhões e envolvia Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. A assessoria da Banvox afirmou que as operações de compra e venda das debêntures foram realizadas entre os detentores/credores dos papéis no mercado secundário, sem participação da Banvox.
A Super Empreendimentos e Participações também apareceu no balanço do SDG II, com R$ 22 milhões em créditos a receber da companhia. A Super funcionava como braço financeiro de Vorcaro e era dona da casa que o ex-banqueiro usava em Brasília.
Autor(a):
Redação
Portal de notícias e informações atualizadas do Brasil e do mundo. Acompanhe as principais notícias em tempo real


