Música Brasileira Conquista o Mundo: Estratégias e Desafios Revelados

Will Page lança olhar crítico sobre a expansão global da música latina! Economista e autor de “Tarzan Economics”, discute o futuro do ritmo no mundo. Descubra

20/05/2026 05:10

4 min

Música Brasileira Conquista o Mundo: Estratégias e Desafios Revelados
(Imagem de reprodução da internet).

A Música Brasileira e o Desafio da Expansão Global

A música brasileira não precisa mudar de idioma, copiar o reggaeton ou seguir a cartilha do K-pop para ocupar mais espaço no mundo. Para Will Page, ex-economista-chefe do Spotify e da PRS for Music, o desafio reside em transformar uma força cultural já consolidada no país em uma circulação internacional, através de turnês, presença em mercados específicos e uma coordenação eficaz entre artistas, gravadoras, editoras, plataformas e políticas públicas.

Page, autor de “Tarzan Economics” (2021) e uma das vozes mais influentes na análise econômica da indústria musical, participará da conferência Latin Rio, que acontece entre 18 e 20 de maio, no Rio de Janeiro, discutindo a expansão global da música latina.

Na conferência, Page dialogará com Sandra Jimenez, da YouTube Music, para responder a uma questão central no setor: a música latina é um mercado único ou uma soma de territórios, hábitos e dinâmicas locais? O livro “Tarzan Economics” de Will Page oferece uma perspectiva valiosa sobre o Brasil, destacando seu repertório reconhecível, seu mercado interno forte e suas cenas locais vibrantes.

No entanto, o país exporta menos música do que poderia, conforme aponta Page.

A Importância da Experiência e do Show Business

Page enfatiza que, apesar da economia, o “show business” é fundamental. Ele separa a descoberta de carreira do aspecto econômico, observando que o streaming abriu as portas para a música latino-americana, mas não resolve sozinho a construção de valor.

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As plataformas auxiliam na disseminação de faixas, na localização de públicos e na medição de interesse em diferentes territórios. A consolidação de uma carreira internacional ainda depende de uma rede mais ampla, incluindo shows, festivais, turnês, parcerias, dados por cidade e presença física.

Page utiliza uma referência marcante: “Eu sempre digo que o aeroporto de vocês tem o nome de um compositor. Não preciso dizer mais nada. Isso está no sangue do país”. Ele demonstra interesse em artistas que cruzam fronteiras e viajam, focando na experiência e na presença do artista.

Estratégias para o Sucesso e o Papel da Coordenação

Page destaca que o streaming criou escala, mas também reduziu o valor unitário percebido da música gravada. O consumidor acessa dezenas de milhões de faixas por uma mensalidade estável, enquanto ingressos de shows e festivais se tornaram mais caros, concentrando grande parte do dinheiro da indústria. “Atualmente, você pode gastar o equivalente a um ano de Spotify em duas horas de entretenimento em um show de estádio”, afirma Page.

Ele propõe que o palco se torne o centro da estratégia, aproveitando a escassez, a presença e a experiência coletiva. As plataformas devem ser usadas como ferramentas de mapeamento, identificando a demanda em cidades específicas e construindo circulação a partir desses dados. “Esse artista brasileiro é grande na Alemanha?

Essa é uma pergunta ruim. Esse artista brasileiro é grande em Berlim? Essa é uma pergunta interessante”, questiona Page.

Identidade e Coordenação: O Caminho para o Crescimento

Page evita a ideia de imitação estética, citando a Coreia do Sul, o México, a Colômbia e o avanço da música em espanhol como exemplos de coordenação, exportação e ambição internacional. A lição está no método, não no som. A força da música brasileira reside em sua identidade, nas formas criadas por gerações, na relação entre canção, ritmo, território e linguagem.

Page defende uma articulação mais forte entre empresas, artistas, plataformas, editoras, festivais e governo, propondo políticas públicas de exportação cultural que incentivem turnês internacionais sem transferir todo o risco para os artistas.

Ele acredita que o dinheiro migrou para a experiência, e que o streaming criou escala, mas também reduziu o valor unitário percebido da música gravada. Para Page, o Brasil precisa de coordenação, cultivar seus “jardins” e perceber que seu país não é grande o suficiente. “É um país enorme, mas não é grande o suficiente.

O que vocês têm precisa de passaporte.”

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